Sou Paciente
De onde vem essa tontura e o que posso fazer?

De onde vem essa tontura e o que posso fazer?

13 de Outubro de 2024
Dr. Lucas Mangia

Em linhas gerais, na medicina chamamos de tontura as alterações da percepção no espaço. Na prática, esse sintoma é muito mais difícil de se definir, pois inclui sensações muito variadas e individuais percebidas pelos pacientes. Desse modo, vários pacientes, por exemplo, chamam de tontura a sensação de que "tudo está girando", enquanto outros vão dar o mesmo nome para a sensação de desconforto ao se expor a certos estímulos, como ao andar de ônibus ou ao ver um filme cheio de imagens rápidas de ação.

Além disso, a definição de tontura sofre influência de aspectos culturais e sociais e, muitas vezes, em certos lugares, os pacientes usam termos muito diversos como sinônimos de tontura. É o caso de "tonteira", "ruindade na cabeça", e por aí vai.

O mais importante é entender que, não importa qual termo utilizado para descrever essa sensação tão pessoal, sua ocorrência implica na presença de problemas de saúde a ser compreendidos. Em outras palavras: tontura não é normal. As origens desse sintoma podem estar em diferentes partes de um sistema complexo do nosso corpo responsável pela nossa percepção no espaço. Esse silencioso sistema perceptual tem como alicerce as informações vindas dos labirintos. No entanto, outros sistemas sensoriais, por exemplo relacionados à visão ou às articulações e músculos, também auxiliam na construção desse nosso "mapa" interno. Além disso, o próprio funcionamento do labirinto sofre a influência de diversos eixos do nosso organismo, como o hormonal, o vascular e o metabólico. Por fim, essa rede sensível de informações pode sofrer modificações durante sua interpretação e processamento pelo cérebro, tornando a composição final das queixas e doenças ainda mais complexa.

Isso significa que o sintoma de tontura pode ter raízes em lugares muito distintos do nosso corpo. Muitas vezes, essas raízes são múltiplas e o entendimento do sintoma exige mais trabalho investigativo. Esse trabalho pode envolver exames muito variados e o apoio de colegas de diversas especialidades. Mas é importante que seja guiado por um profissional com conhecimento global do corpo humano. Do mesmo modo, seu tratamento é mais eficaz quando atinge todas essas origens. E aqui também: os planos de tratamento são tão individuais e, por vezes, complexos, que o papel do médico no suporte de todo o processo terapêutico é essencial.

Por isso, não há dúvidas: somente o profissional médico é capaz de desfazer o emaranhado que envolve o sintoma de tontura, com todas suas nuances desde a queixa apresentada, a escolha de exames, a definição diagnóstica, a investigação de outros fatores que podem estar impactando o problema e a instituição assertiva de tratamentos. Diante de um cenário de tamanha complexidade, entendemos o porquê dos riscos e da frequente falta de resultados quando procuramos atalhos e soluções mágicas. E por que a avaliação e o seguimento com um médico de confiança é indispensável no cuidado do paciente com tontura.

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